A vida das abelhas

Em 1995, publiquei o livro: “Aprendendo com as abelhas como viver em sociedade” que teve grande saída e foi amplamente divulgado entre os apicultores. Hoje, 20 anos depois, acho interessante a publicação da fábula que escrevi para o primeiro capítulo do livro.
A vida das abelhas é maravilhosa, cheia de ensinamentos, cheia de significado e simbolismo. Educação, respeito, trabalho duro e dedicação resulta em grande abundância.
Na fábula, “Seu” Jan, um apicultor holandês, conta para as crianças um sonho que teve onde as abelhas e marimbondos falam como se fossem pessoas. Eles até mesmo organizam uma revolução na Colmeia da Apislene, uma das abelhas na história. Os diálogos, com base na vida das abelhas e insetos são atraentes. Quem os lê, após o início, só vai parar no final do livro.


A ordem do universo é explicada em detalhes e a atenção das crianças contagia o leitor.


Aqui estão os personagens: Além de “Seu” Janeiro e as crianças, diversos tipos de abelha que entrarão em cena.

Todas elas, exceto as duas vespas, fazem parte da subfamília apinae que se subdivide nas tribos apini, meliponini, anthophora e bombini.

Os três personagens principais são abelhas da tribo apini, do tipo apis melifera melifera, chamadas européias ou do reino, pois foram introduzidas no Brasil a partir do século passado por ordem de D. João VI. Encontram-se abelhas dessa mesma família em toda a África, Ásia, e Oceania.

Pertencem a tribo das meliponini a minúscula jataí e a vilã da estória, a irapuã cujos habitos são muito sujos. As meliponini são abelhas sociais encontradas nas regiões tropicais do mundo.

Na tribo das anthophora vamos encontrar a abelhinha “individualista” e que vive solitária. Essa tribo tem também algumas espécies que vivem em sociedade mas com organização muito primitiva.

A barulhenta mamangaba pertence a tribo dos bombini, ao gênero Bombus. Apesar de terríveis quando ferroam alguem, são excelentes polinizadoras.

As vespas, que promovem a “subversão” no reino apícola, são conhecidas e podem ser classificadas como polybia occidentalis scutellaris e polister canadensis.


Foi observando a vida de cada tipo de abelha que eu escrevi esta fábula. Sendo animais irracionais, incapazes de bem ou o mal voluntário, as abelhas do conto são apenas símbolo para atitudes semelhantes entre os homens. Não é preferência por um em detrimento de outro. Todos têm o seu papel na criação, e quando eles não são diretamente úteis ao homem, seu estilo de vida serve como uma lição. Daí o uso da fábula, frequente na história da literatura, como meios adequados para transmitir ao homem uma lição de vida.

Após dez anos de estudo e de trabalho com as abelhas escrevi e publiquei o livro “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade” sendo a fábula o seu primeiro capítulo.

As abelhas são animais tão úteis ao homem em seus produtos e tem muito a ensinar com sua vida ordeira e produtiva. Ao escrever a fábula levei em conta os diversos aspectos da vida social humana e seu simbolismo no reino animal, resultando em um texto interessante, cativante e cheio de ensinamentos.

Na fábula eu inclui os aspectos cotidianos de diversos tipos de abelhas nativa no Brasil e algumas vespas.

As abelhas europeias (é assim que a apis mellifera mellifera é conhecida) quando fortes e saudáveis são muito produtivas, resultando num ótimo investimento para milhares de apicultores. Já as abelhas nativas, devido ao seu comportamento e a sua biologia, são menos produtivas mas não menos úteis para a natureza.

Comparado um estilo de vida ao outro nós podemos estabelecer uma relação surpreendente de causa e efeito, de sucesso e de fracasso, de produtividade e miséria.

Normalmente, esse erro é comum em diversos escritores. Eles aplicam a vida das abelhas ao sistema socialista. Grande erro. Uma colmeia é uma família e não uma reunião de indivíduos sem relação uns com os outros.

Esta família possui regras, deveres e direitos. Cada membro segundo sua idade receberá um tratamento especial e deverá corresponder com serviços que auxiliem sua família a completar seu objetivo.

A abelhinha em nossa fábula ao ser confrontada com o estilo de vida de outras espécies de abelha resolve aplicar em sua colmeia os conselhos recebidos das vespas. 

A revolução das abelhas produz um resultado desanimador. A produção diminui, os zangões se multiplicam, e a colmeia se encaminha para o fim.

Deixamos para o leitor fazer a conclusão moral desta fábula pois o objetivo é destacar a importância de cada qual cumprir com suas obrigações para o bom desenvolvimento da comunidade.

Quando todos os elementos de uma comunidade trabalham em direção a um fim específico, sem invejas, sem ressentimentos, sem revoltas, o sucesso é alcançado com facilidade.

Pelo contrário, quando revoltas e revoluções se sucedem sem parar o resultado é o fracasso e a miséria.

A agilidade juvenil é própria para a compreensão de realidades e ensinamentos através de fábulas e estórias.

Utilizando este recurso podemos contribuir para a formação familiar, social e comunitária dos jovens, orientando seus pesamentos de forma agradável e divertida para um estudo de sociologia e filosofia aplicados a realidade da vida das abelhas e por extensão, para a vida dos homens.

Após a fábula o leitor terá um resumo da vida das abelhas, aprendendo assim como cada colmeia funciona. A leitura o levará a conhecer as regras e obrigações que cada membro da colmeia deve cumprir para que a mesma chegue a grande produtividade.

Como escritor tenho muito orgulho em produzir esta fábula, resumindo de um modo simples e divertido os vários aspectos da vida das abelhas.

Este é o melhor produto que podemos obter da natureza: a lição de vida que cada um de seus elementos nos dá. Esta lição, aplicada de modo criterioso, pode tornar a vida de cada ser humano muito mais… humana, com respeito e muito produtiva!

Tenho certeza que o leitor amará este livro e o recomendará a todos seus amigos.

Mas não fique apenas nisso. Por favor, leia para uma criança, doe para escolas, deixe exemplares em locais públicos que poderão ser facilmente lidos por jovens e adultos.

Um livro poderá fazer muita diferença na vida de uma pessoa, elevando seus pensamentos, acrescentando cultura e valor a suas vidas.

A cultura compartilhada se transforma em civilidade e progresso.


Jornalista Comendador Mauro Demarchi
Twitter: @maurodemarchi @monarquiaja

Membro-Fundador da Academia de Letras do Brasil – Capital das Nascentes