Autor: mauro

  • Rainha da Espanha em Valência: Um Abraço de Compaixão e Solidariedade

    Rainha da Espanha em Valência: Um Abraço de Compaixão e Solidariedade

    Em um momento raro e tocante, a Rainha da Espanha foi fotografada em Valência com as mãos sujas de barro, em um abraço profundo e carregado de emoção com duas mulheres locais. A imagem captura não apenas um gesto de proximidade física, mas um instante de profunda conexão humana. Com as cabeças coladas e os braços entrelaçados, as três mulheres parecem formar uma unidade, como se naquele breve momento todas as barreiras entre rainha e cidadãs comuns desaparecessem.

    Esse abraço simboliza algo maior que uma visita oficial ou um evento cerimonial. É um testemunho de empatia, compaixão e solidariedade feminina. As mãos da Rainha sujas de barro, tão distantes do habitual protocolo e formalidade da realeza, contam uma história de envolvimento genuíno. Elas mostram que ali, no coração de Valência, ela se uniu àquelas mulheres de igual para igual.

    Há algo de atemporal nesse registro fotográfico, que parece resumir a força da sororidade — uma palavra que simboliza a união e o apoio entre mulheres, independentemente de posição ou título. Em um mundo onde as distâncias sociais e as diferenças hierárquicas ainda se fazem tão presentes, essa imagem fala de esperança e lembra o poder de um abraço sincero.

    Esse momento, além de ser uma lição de humanidade, revela uma dimensão sensível e acessível da realeza espanhola. Em tempos de dificuldades e desafios globais, é inspirador ver figuras públicas que se dispõem a ultrapassar as barreiras, oferecendo um gesto tão simples e ao mesmo tempo tão necessário: o abraço que conforta, aproxima e simboliza a fraternidade entre as pessoas.

  • A Revolução das Abelhas

    A Revolução das Abelhas

    1. Descobrindo uma fábula

    -Se você quiser compreender a maravilhosa lição que as abelhas têm para nos dar, não deixe de ler o trabalho de seu avô — aconselhou, certo dia, meu pai.
    -Mas que trabalho é esse, papai? Não sabia que o “vô” tinha sido apicultor.
    -Você era muito pequeno quando ele morreu, por isso não conheceu o que era sua habilidade para lidar com colmeias.
    -Já revirei por inteiro a biblioteca do senhor e jamais encontrei esse livro do vovô.
    -Não, não é um livro publicado, meu filho. É um conto, ou melhor, uma fábula. Ele o quis publicar, mas o editor, muito amigo dele, deixou para fazer a edição quando voltasse de uma viagem que fez à Itália, mas… infelizmente resolveu ficar por lá e seu avô acabou desistindo da publicação. A fábula é uma comparação baseada nos hábitos dos diversos tipos de abelha que povoam nosso imenso Brasil. Dessa comparação ele tirava uma conclusão muito curiosa… Leia a fábula, depois conversaremos.
    -Uma fábula sobre abelhas? Onde minha curiosidade pode encontrar esse trabalho?
    -No sótão, meu filho, na velha arca de madeira entalhada.
    Subi então ao sótão à busca do manuscrito de meu avô e deparei-me com pilhas de papel velho.
    O leitor já mexeu em papéis velhos?
    Num álbum de fotografias, passam os instantâneos de um casamento que teria tudo para ser feliz: ela, virtuosa, dedicada e educada; ele, empreendedor, honesto, distinto, quase um gentil-homem. Entretanto… páginas além, o enterro dele, enchendo de tristeza a esposa, os filhos e parentes.
    Assim, em meio àquela instrutiva papelada, as horas voavam, sem que eu percebesse. De repente, o manuscrito do meu avô!
    Peguei-o reverente, quase como uma coisa sagrada, recostei-me à parede junto à clarabóia, e, ali mesmo, comecei a lê-lo.
    Logo no alto, pregada à capa, uma folha dobrada e amarelada pelo tempo, com esta nota dele ao editor:

    “Benedetto,
    “Questa é a fábula que lhe falei, sobre a organização sociale das abelhas. Você manda rever o meu português pois você sabe que o parlo muito mal, depois falamos della publicazione”.
    Assinava: “Fr. Demarchi – Out. 1923”
    O editor respondeu na mesma fôlha e sem cerimônia:
    “Francesco,
    “Sua fábula, muito interessante, acentua de forma assaz necessária o equilíbrio harmônico entre os diversos elementos que compõem a natureza. Fiz as correções de português que me pediu. Como você sabe, viajo esta semana para a Itália. Assim que voltar tratamos da publicação. Benedito, Dez. 1923”.
    Tendo, enfim, decorrido mais de 70 anos, nada obsta a que venha a lume, com sua modesta ciência, mas não pequena sabedoria, a fábula redigida por meu velho avô sobre a vida das abelhas.
    2. Apresentando os personagens

    Antes, porém, permita-me, leitor, que apresente os diversos tipos de abelha que entrarão em cena.
    Todas elas, exceto as duas vespas, fazem parte da subfamília apinae que se subdivide nas tribos apini, meliponini, anthophora e bombini.
    Os três personagens principais — Apislinda, Apisbela e Apislene — são abelhas da tribo apini, do tipo Apis mellifera mellifera, chamadas europeias ou do reino, pois foram introduzidas no Brasil, no começo do século  XIX, por ordem de D. João VI. Encontram-se abelhas dessa mesma família em toda a África, Ásia e Oceania.
    Pertencem à tribo das meliponini a minúscula jatai e a vilã da história, a irapuá, cujos hábitos são muito sujos. As meliponini são abelhas sociais encontradas nas regiões tropicais do mundo.

    Na tribo das Megachilidea vamos encontrar a abelhinha “individualista” e que vive solitária. Essa tribo tem também algumas espécies que vivem em sociedade, mas com organização muito elementar.
    A barulhenta mamangaba pertence à tribo dos bombini, ao gênero Bombus. Apesar de terríveis quando ferroam alguém, têm um papel importante na natureza, pois são excelentes polinizadoras.
    Na fábula aparecem ainda uma vespa e uma fêmea de marimbondo, que promovem a subversão do reino apícola. Elas são conhecidas e podem ser classificadas como Polybia occidentalis scutellaris e Polister canadensis, respectivamente.1
    Feitas as devidas apresentações passo a palavra a meu avô:

    3. A Fábula

    Foi observando a vida de cada tipo de abelha que redigi esta fábula.
    Sendo animais irracionais, incapazes de bem ou de mal voluntário, as abelhinhas deste conto servem apenas de símbolo para atitudes semelhantes entre os homens. Não se trata de preferência por umas em detrimento das outras. Todas têm o seu papel na Criação, e ainda quando não são diretamente úteis ao homem, seu estilo de vida sempre lhe serve como lição.
    Daí que o recurso à fábula, freqüente na história da literatura, sempre foi meio adequado para transmitir ao homem uma lição de vida.
    Vamos, pois, ouvir o relato de…

    4. A Revolução das abelhas
    • “Eu sou, meus meninos, de um país muito distante”

    Quando criança, pouco depois de ter chegado ao Brasil, com meus pais, da distante Itália, conheci um velho apicultor holandês que frequentava nossa casa.
    Chamava-se Jan (João em holandês). O olhar do velho Jan era azul como um céu de safira e possuía a profundidade do mar. Sua tez branca, emoldurada de cabelos loiros tendendo ao prateado, ficava da cor da cereja quando ele estava irritado. Porém, suas irritações eram fogo de palha, e como um torrão de açúcar num copo d’água desfaziam-se docemente diante de um sorriso de criança, solicitando-lhe um “conto”, uma história.
    Então, todos sentavam-se à sua volta. E ele, retirando da algibeira o velho e inseparável cachimbo de porcelana e ébano, orlado de frisos de cobre impecavelmente polidos, contava:
    – Eu sou, meus meninos — dizia enquanto ajeitava o boné e soltava uma baforada de aromático fumo que se evolava como um símbolo de seus pensamentos — eu sou, meus meninos, de um país muito, muito distante. Meu povo, um povo de bravos, lutou contra o mar, conquistou-lhe as terras, ergueu barreiras, diques, comportas, drenou pântanos e lagos, cobrindo-os de plantações e de flores.
    -Mas eu, eu sempre fui apicultor. Desde minha infância aprendi os segredos de uma colmeia, frequentei o mercado de abelhas de Amsterdã e lá adquiri meu primeiro enxame. Mas… tudo passa. Minha família mudou-se para o Brasil e eu aqui me fixei, tomando este belo e grande Império (estávamos então em pleno reinado de D. Pedro II) como minha segunda pátria.
    – O senhor não quer voltar mais para lá? Pergunta um menino espevitado.
    – Como voltar para lá, meu pequeno, se na minha terra já não resta mais ninguém de minha família? Sou só neste mundo. Depois, para que voltar, se lá encontrarei caras que nunca me viram e que eu nunca vi, enquanto aqui sou querido por meus amigos e estimado por vocês, que tanto gostam de minhas histórias e tanto alegram a minha velhice?
    – “Seu” Jan, interrompe uma menina, o Chico contou que o senhor já ouviu as abelhas conversando. É verdade?
    Apertando o cachimbo com a mão esticada e parando por um instante como que a ordenar as recordações, retomava:
    – Na realidade, Isabel, os animais não falam. Os homens é que falam por eles. Colocam na boca dos animais palavras que estes diriam se tivessem a capacidade de falar, para que o homem melhor compreenda certas verdades. Existiram fabulistas famosos…
    – O que é fabulista, “seu” Jan? Pergunta Rafael, curioso.
    – Fabulista, meu menino, é o homem que escreve fábulas, pequenos contos com fim moral, a exemplo do “seu” Jan. Nos tempos passados havia muitos e alguns deles tornaram-se famosos.

    • O maravilhoso equilíbrio existente na natureza

    – Uma das coisas que tenho sempre lembrado nas histórias que lhes conto, meus meninos, diz respeito ao maravilhoso equilíbrio existente na natureza. Um enxame de abelhas; um beija-flor; um leão ou um gato; uma pedra ou um ipê; o céu e a terra; as estrelas e os planetas; tudo, enfim, desde o minúsculo grão de areia até o mais resplandecente astro estão ordenados e seguem leis impostas pelo Criador do Universo. Nesse universo, o homem…

    Leia o texto completo no livro “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade

    Capítulo I do livro “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade”, Artpress Editora, São Paulo, 1995, 110 p. Ilustrado.

    Compre aqui: https://maurodemarchi.com.br/aprendendo-com-as-abelhas-a-viver-em-sociedade/

  • A imigração italiana

    A imigração italiana

    A imigração italiana para o Brasil a partir de 1870 é um dos momentos importantes da nossa história.

    A realidade do final do século XIX era preocupante: uma Itália empobrecida com o avanço das máquinas e com o enfraquecimento de suas terra tornando escassos os alimento para a sua população. As consequências só poderiam ser fome e desemprego.

    A saída encontrada foi a emigração dos italianos para países que precisassem de mão-de-obra, e o Brasil foi um dos primeiros da lista, pois havia a afinidade religiosa e etnica e estava sem trabalhadores para suas lavouras de café. México, Estados Unidos e Canadá também estavam na lista dos países que queriam receber os imigrantes.

    Os italianos juntavam sua pouca bagagem e partiam. Saiam de todas as regiões da Itália, o maior contingente, porém, vinha do Vêneto – região do norte do País.

    A travessia do oceano durava em torno de 40 dias em navios lotados, mas o sonho de “fazer a América” levava nossos antepassados a suportar todos os rigores e dificuldades.

    Ao chegar ao Brasil, encontraram um clima diferente, uma cultura estranha, um povo acolhedor, mas com receio dos novos imigrantes. Por algumas décadas as comunidades italianas ficaram fechadas entre seus membros, assim como outras nacionalidades que emigraram para o Brasil, mas aos poucos a miscigenação ocorreu, assim hoje, além dos legítimos De Marchi ou Demarchi temos, com alegria, em nossa extensa família os Demarchi Teixeira, os Santos Souza Demarchi, os Neves Demarchi os Demarchi Mendes

    Os descendentes de italianos nascidos aqui no Brasil sentem-se legitimamente brasileiros mas todos temos muita honra de descender de um povo sonhador, trabalhador e conquistador.

  • Contrate uma Palestra de Mauro Demarchi

    Contrate uma Palestra de Mauro Demarchi

    Mauro Demarchi, Escritor, Jornalista, Redador do Jornal Capital das Nascentes foi Apicultor por mais de 10 anos, período no qual publicou o livro “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade“, no qual aplica as lições de vida deste maravilhoso inseto para a vida dos homens.

    Realizou palestras para jovens e adultos e mais recentemente esteve na Feira do Livro de Florianópolis onde palestrou sobre o tema.

    O senso ordenado e altamente produtivo das abelhas é lição e estimulo para vivermos, também nós, em ordem com a natureza, buscando dar o melhor de cada um para o bem de todos.

    O foco das palestras ministradas por Mauro Demarchi é trazer aos ouvintes uma lição de vida que deve ser seguida.

    Mauro Demarchi, experiente apicultor, encantado com a vida das abelhas, fala para o publico leigo na matéria. Desvenda mistérios do reino maravilhoso das abelhas.

    Aprenda como as abelhas se reúnem para escolher uma nova rainha, como elas se orientam em busca de novas flores, quais critérios elas têm para mudar de casa, quantos anos vive uma abelha rainha, porque o zangão morre depois de fecundar a rainha, porque a abelha operária dedica todo a sua vida na labuta da colmeia. E, o principal, como você pode aproveitar o melhor produto das abelhas: a lição de vida!

    Lançado em 1995, o livro alcançou rápido sucesso entre os apicultores que viram na obra um meio de popularizar a vida das abelhas. O autor do livro, Mauro Demarchi afirma que o trabalho é emocionante, cheio de beleza e compensador e por isso, agora, passa a palestrar sobre o assunto.

    Ao contratar a Palestra de Mauro Demarchi, o autor sorteará aos presentes 10 exemplares do livro.

    Contrate a palestra acessando o link na imagem abaixo:

  • A música e seu caminhar para o abismo!

    A música e seu caminhar para o abismo!

    O ser humano, desde sua criação, soube utilizar a poesia e a música para exprimir seu estado de espírito. Fico imaginando, pois, como teria sido o primeiro olhar de Adão ao acordar e encontrar Eva a seu lado e que versos e que melodias, teria entoado para saudá-la. Imagino também o canto triste e desiludido quando do Paraíso foram expulsos, entrando na terra de sofrimentos e males.

    Os povos primitivos reconheciam na música um sentido mágico, maravilhoso que embalava todos os momentos mais importantes da vida. A medida que a humanidade foi crescendo e se expandindo em seu caminhar pela Terra, foi aprimorando a música, criando instrumentos mais elaborados e enaltecendo aqueles que se especializavam no uso de tais instrumentos. Música e teatro caminharam juntos, música e religião, música e colheita, música e vida social, ou seja, a música fazia parte da vida dos povos.

    A expansão da sociedade humana pelos continentes, dificultou o contato com a origem primitiva, mas possibilitou o surgimento de variedade quase infinita de estilos e ritmos entre os povos, só referenciada quando viajantes levavam e traziam as novidades descobertas.

    A notação musical, criada em algum momento da história, permitiu a preservação de músicas e letras, antes transmitidas unicamente de pessoa a pessoa. No século XIX e XX, a criação de instrumentos de registro de sons, possibilitou que a fidelidade de reprodução expandisse a multiplicação das músicas e letras.

    Podemos dizer que as musicas e letras tiveram um desenvolvimento cultural que elevou o nível de músicas folclóricas e populares.

    Em determinado momento no início do Século XXI, a curva ascendente da produção musical passou a apontar para baixo e começou uma queda vertiginosa.

    A relação abaixo foi divulgada em grupo do WhatsApp e termina com a seguinte pergunta:

    Em que momento nós erramos? Ainda há esperança ou chegamos ao fundo do poço?

    Assistam, e me respondam…

    Década de 20:
    Eu te respondo mesmo assim cantando
    Exacerbando os sonhos meus de então:
    Lágrimas frias, creias ou não creias
    Tantas chorei-as que fiz um Jordão

    Tu me perguntas por que, solitário
    Inda mais vário sou que um beija-flor
    Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
    Fui ao calvário do falsário amor!


    Década de 30:
    Tu és divina e graciosa, Estátua majestosa do amor
    Por Deus esculturada.
    És formada com o ardor
    Da alma da mais linda flor
    De mais ativo olor
    Que na vida
    É a preferida pelo beija-flor….”


    Década de 40:
    “A deusa da minha rua
    Tem os olhos onde a lua
    Costuma se embriagar.. Nos seus olhos, eu suponho,
    Que o sol, num dourado sonho
    Vai claridade buscar


    Década de 50
    “Tomara que chova,
    três dias sem parar.
    Tomara que chova,
    três dias sem parar.
    A minha grande mágua
    é la em casa não ter água
    e eu preciso me lavar.


    Década de 60:
    “Olha que coisa mais linda
    Mais cheia de graça.
    É ela a menina
    Que vem e que passa
    Num doce balanço
    A caminho do mar.
    Moça do corpo dourado
    Do sol de Ipanema.
    O teu balançado é mais que um poema.
    É a coisa mais linda que eu já vi passar.”


    Década de 70:
    “Foi assim como ver o mar a primeira vez
    Que os meus olhos se viram no teu olhar….
    Quando eu mergulhei no azul do mar
    Sabia que era amor
    E vinha pra ficar….”


    Década de 80:
    “Fonte de mel,
    nos olhos de gueixa,
    Kabuki, máscara.
    Choque entre o azul
    e o cacho de acácias,
    luz das acácias,
    você é mãe do sol. Linda….”


    Década de 90:
    “Bem que se quis,
    depois de tudo ainda ser feliz.
    Mas já não há caminhos pra voltar.
    E o que é que a vida fez da nossa vida?
    O que é que a gente não faz por amor?”


    Em 2001:
    Vem tchutchuca linda
    Senta aqui com seu pretinho
    Vou te pegar no colo
    E fazer muito carinho
    Eu quero um rala quente
    Para te satisfazer
    Escute o refrão
    É do jeitinho q eu vou fazer!


    Em 2002:
    “Só as cachorras!
    Hu Hu Hu Hu Hu!
    As preparadas!
    Hu Hu Hu Hu!
    As poposudas!
    Hu Hu Hu Hu Hu!”


    Em 2003:
    “vou mandando um beijinho
    pra filhinha e pra vovó só não
    posso esquecer da minha
    éguinha pocotó

    pocotó pocotó pocotó
    pocotó…
    minha éguinha pocotó


    Em 2004:
    “Ah! Que isso?
    Elas estão descontroladas
    Ah! Que isso?
    Elas estão descontroladas
    Ela sobe, ela desce, ela dá uma rodada
    Elas estão descontroladas
    Ela sobe, ela desce, ela dá uma rodada
    Elas estão descontroladas”


    Em 2005:
    “Hoje é festa lá no meu apê
    Pode aparecer
    Vai rolar bundalelê
    Hoje é festa lá no meu apê
    Tem birita
    Até amanhecer”


    Em 2006:
    “Tô ficando atoladinha,
    tô ficando atoladinha,
    tô ficando atoladinha!!!
    Calma, calma foguetinha!!!
    Piriri Piriri Piriri,
    alguém ligou p/ mim!”


    Em 2010:
    “Chapeuzinho pra onde você vai,
    diz aí menina que eu vou atrás.
    Pra que você quer saber?
    Eu sou o lobo mau, au, au
    Eu sou o lobo mau, au, au
    E o que você vai fazer?
    Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
    Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
    Vou te comer, vou te comer, vou te comer”


    Em 2017:
    “Olha a explosão
    Quando ela bate com a bunda no chão
    Quando ela mexe com a bunda no chão
    Quando ela joga com a bunda no chão
    Quando ela sarra e o bumbum no chão, chão, chão, chão”

  • O fim da classe média

    O fim da classe média

    Ontem, dia 17 de outubro, estive em Santo Amaro da Imperatriz para uma primeira consulta com um cirurgião vascular, por causa de varizes que tem me incomodado. O pequeno hospital da cidade está recebendo pacientes de diversas especialidades encaminhados pelo SUS. Pelo visto, está havendo uma descentralização do atendimento que antes estava todo ele centralizado em hospitais da Capital. Excelente iniciativa, pois a centralização é um mal e deve ser descontinuada para que a população se beneficie.
    Notei uma coisa curiosa, também.
    O fim da classe média no Brasil! O que acontece na Grande Florianópolis é um reflexo do Brasil. Constatei isso enquanto aguardava para ser atendido.
    Quando eu era criança, lá pelos anos 70 do século passado, havia diferenças proporcionais na sociedade. De um pobre miserável a um ricaço as distâncias intermediárias eram preenchidas de modo proporcional de modo que o pobre não sentisse o peso da pobreza pois teria a quem recorrer e o ricaço não esbanjava pois sabia que poderia um dia ocupar o lugar do pobre. Conheci muitos pobres a quem minha família ajudava. Fazíamos parte da escadinha suave que chegava até os mais ricos. Conheci muitas pessoas ricas também. Eles sabiam viver sem pisar naqueles
    que tinham menos.
    Hoje isso não existe mais! A classe média acabou! As diferenças matizadas entre as pessoas sumiu! E, quem vai sofrer com isso são os menos favorecidos, aqueles que deveriam ser mais protegidos.
    Naquele hospital de Santo Amaro ficou patente o mal que a esquerda fez para o Brasil. Ela, com sua política, destruiu a classe que protegia a pobreza e acostumou essa classe a viver de esmola do governo. Empobreceu e aviltou a classe média, de modo que, hoje no Brasil, podemos dizer que existem duas classes apenas: a classe pobre, que depende de esmolas governamentais, e a classe rica, que vive principalmente de dinheiro público. Entre as duas classes, flutuam empresários, proprietários rurais, industriais, que tentam pagar a conta da lambança que fez a esquerda brasileira.

  • Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade

    Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade

    Características
    Autor: Mauro Frederico Demarchi
    Título do Livro: Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade
    ISBN: 9788572060202
    Um experiente apicultor, encantado com a vida das abelhas, escreve para o publico leigo na matéria. Desvenda os mistérios do reino maravilhoso das abelhas, explica como criar abelhas e como obter os produtos das colmeias, mel, polem, própolis, geleia real e apitoxina. Um livro para todas as idades.Aprenda como as abelhas se reúnem para escolher uma nova rainha, como elas se orientam em busca de novas flores, quais critérios elas têmpera mudar de casa, quantos anos vive uma abelha rainha, porque o zangão morre depois de fecundar a rainha, porque a abelha operária dedica todo a sua vida na labuta da colmeia. Lançado em 1995, o livro alcançou rápido sucesso entre os apicultores que viram na obra um meio de popularizar a vida das abelhas. O autor do livro, durante mais de 10 anos dedicou-se a criação de abelhas e pode comprovar que o trabalho é emocionante, cheio de beleza e compensador.

    Esse excelente livro vai mostrar para você que as abelhas tem muito a ensinar para a sociedade humana. O autor, conhecido criador de abelhas, descreve de maneira simples e fácil o modo de viver das abelhas, sua dedicação ao trabalho, seu amor à hierarquia, e sua união com a família. Valores que hoje estão bastante esquecidos.
    Compre Aqui!

  • Na Colônia Militar Santa Thereza a primeira reforma agrária do Brasil

    Na Colônia Militar Santa Thereza a primeira reforma agrária do Brasil

    O Século XIX foi um século militarista, influenciado diretamente pela arrogância de Napoleão e sua tentativa de conquistar o mundo. Seu exemplo, e a tentativa de se defender de suas guerras, fez com que potências estrangeiras buscasse na militarização a defesa para abusos por parte dos franceses e outros povos.

    Assim foi também com o Brasil. Entretanto, para que o Exército pudesse ser respeitado, era necessário que o seu contingente fosse respeitável. Um pequeno exército, mesmo bem armado, seria de fácil controle. Porém um exército numeroso venceria pela quantidade e resistência.

    Nosso glorioso Exército, especialmente no período imperial, tinha em seus efetivos duas classes de militares: o oficialato, constituído de pessoas da etnia branca e a base do contingente militar constituída por negros libertos, pardos e pessoas de poucas posses.

    O Império do Brasil contava com um poderoso exército, tanto pela qualidade de seus comandantes quanto pela persistência de seus soldados. Entretanto, o envio para as colonias militares, geralmente isoladas, era feito por recrutamento e não por ordem superior. O atrativo, para a imensa maioria, era a possibilidade de ganhar um pedaço de terra após determinado período de serviço na Colônia Militar. Poderíamos publicar inúmeros recortes de jornais demonstrando esta afirmação. A título de amostragem publicamos a matéria legal do jornal O Conservador de 28 de novembro de 1885: 

    Enquanto alguns solicitavam engajamento, outros já tinham cumprido o prazo necessário para ter o seu lote de terras.

    A notícia acima foi publicada no jornal O Mercantil de 31 de agosto de 1865. Este tipo de publicação legal era comum nos jornais catarinenses da época, incluindo a publicidade dos pedidos de soldados para entrega de seus lotes, demonstrando que a distribuição de terras era uma moeda de troca, entre o governo imperial e os soldados recrutados para ocupar e defender os caminhos de Desterro a Lages.

    Para terminar este artigo cito a obra do historiador ADELSON ANDRÉ BRÜGGEMANN “Soldados (in)visíveis: componentes do Exército brasileiro na colônia militar de Santa Thereza (1854-1883), província de Santa Catarina” que conclue:

    Desse modo, a análise dos documentos oriundos da colônia militar de Santa Thereza, e principalmente aqueles que detalham o cotidiano dos soldados que trabalhavam na colônia, podem esclarecer aspectos importantes a respeito da composição do Exército brasileiro e as formas de recrutamento dos soldados. A concessão de terras, frequentemente encontrada na documentação da colônia, faz pensar a respeito do significado que a terra tinha para essas camadas mais humildes da população brasileira que serviram no Exército. Acredita-se que a promessa de concessão de terra para os soldados tenha sido o primeiro grande comprometimento governamental de distribuição de terras entre os brasileiros de origem humilde (BEATTIE, 2009: 79)

    A prática de sucesso foi interrompida, ao que tudo indica, pela implantação da República.

  • Quem vem lá? – A sentinela isolada e protetora

    Quem vem lá? – A sentinela isolada e protetora

    Lages e Desterro, duas cidades de importância, uma localizada no Planalto e outra no Litoral, separadas uns 200 km entre si, com vários dias de viagem (se feita a pé ou a cavalo)… mas que tinham uma vocação comum: fazer progredir este Estado dedicado a Santa Catarina.
    Um livro muito importante para leitura sobre período é Caminhos da Integração Catarinense – Do Caminho das Tropas a Rodovia BR282. Nele, António Carlos Werner descreve com minúcias de detalhes os esforços de gerações na escolha do melhor trajeto e na construção da estrada.
    Em ponto estratégico na antiga ligação de Desterro e Lages, o Império do Brasil mandou erguer a Colônia Militar Santa Thereza. Foi fixado o primeiro acampamento aos pés do Trombudo e devido as condições inapropriadas da localização, foi mudado o local para o assentamento da Colônia, às margens do Rio Itajai do Sul, onde hoje se localiza o Distrito de Catuíra.
    Alí foram instalados os militares que deveriam proteger quem subisse ou descesse pela primitiva estrada. Mas, quem foram estes soldados? Quem eram os guardiões da Serra?
    Soldados (in)visíveis: componentes do Exército brasileiro na colônia militar de Santa Thereza (1854-1883), província de Santa Catarina” do historiador ADELSON ANDRÉ BRÜGGEMANN nos conta com detalhes em seu artigo publicado em Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011 cujo texto pode ser lido na íntegra em Soldados (in)visíveis 

    Nos meses de fevereiro e março de 1854 desertaram da colônia três soldados colonos (SANTA CATARINA, 1855: 10). Dos cinquenta e um militares que viviam na colônia no último mês de 1854, vinte e nove eram provenientes de Santa Catarina, sete de Pernambuco, quatro da Bahia, dois de Minas Gerais, dois de São Paulo, um do Maranhão, um do Ceará, um do Rio de Janeiro, um do Rio Grande do Sul e três da Alemanha. De todos os habitantes da colônia, oitenta pessoas eram provenientes de Santa Catarina: vinte e nove soldados, dezoito homens e trinta e três mulheres, familiares dos soldados. De Pernambuco, da Bahia, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Maranhão e do Ceará, nenhum dos soldados possuíra familiares na colônia. Quanto ao soldado vindo do Rio de Janeiro, este possuía esposa. Do Paraná havia somente uma mulher. Da Alemanha, ao todo eram nove pessoas, três soldados, dois homens e quatro mulheres. De Buenos Aires uma mulher e das Ilhas Canárias outra.

    Praticamente todo o Brasil estava representado aqui na Colônia Militar Santa Thereza!

    Continuemos:

    Quanto à faixa etária dos soldados naquele ano, sete soldados tinham entre 13 e 20 anos de idade, cinco deles eram solteiros e dois casados. Vinte e sete soldados tinham entre 21 e 30 anos de idade; quatorze eram solteiros, doze casados e um viúvo. Dez soldados possuíam idade entre 31 e 40 anos de idade. Três deles eram solteiros e sete eram casados. Entre 41 e 50 anos existiam na colônia cinco soldados; um solteiro, três casados e um viúvo. Entre 51 e 60 anos de idade, havia somente dois soldados, um solteiro e outro casado (SANTA CATARINA, 1855: 10-11). Entre os soldados colonos, cinco eram carpinteiros, um era marceneiro, dois eram pedreiros, três eram oleiros, dois eram serradores, quatro eram alfaiates, um era sapateiro, dois eram ferreiros e um era barbeiro sangrador; os demais eram todos lavradores.

    Podemos dizer que a jovem colônia tinha uma população também jovem em sua maioria e as profissões básicas para o progresso de um povoado encontravam representadas aqui: agricultor, carpinteiro, marceneiro, pedreiro, oleiro, serrador, alfaiate, sapateiro, ferreiro e barbeiro.

    Vamos em frente:

    O diretor da colônia, João Francisco Barreto, encaminhou ao referido presidente de província o mapa do pessoal da colônia relativo ao ano de 1860. Desse documento é possível extrair as seguintes informações: dos vinte e cinco soldados da colônia, quinze possuíam entre 31 e 40 anos de idade, cinco entre 41 e 50 anos, quatro entre 51 e 60 anos e dois entre 61 e 70 anos de idade. No mesmo ano, de acordo com esse mapa, lá viviam cento e quinze pessoas. Dessas, cem eram provenientes da província de Santa Catarina, cinco de Pernambuco, duas da Bahia, uma de Minas Gerais, uma do Ceará, uma do Rio de Janeiro, duas do Rio Grande do Sul, uma do Maranhão, uma de Buenos Aires e uma de Portugal (este era um soldado e solteiro) (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1860).

    Em 1861 a colônia militar de Santa Thereza possuía cento e vinte e cinco habitantes. Desses, vinte e oito eram soldados colonos. De todos os habitantes da
    colônia, cento e nove pessoas eram naturais da província de Santa Catarina, cinco de Pernambuco, dois da Bahia, um de Minas Gerais, um do Ceará, um do Rio de Janeiro, três do Rio Grande do Sul, um do Maranhão, um de Buenos Aires e um de Portugal.

    Todas as pessoas vindas de outras províncias e países, sem exceção, eram solteiras e não possuíam familiares na colônia. Quanto à faixa etária dos moradores da colônia naquele ano: vinte e noves pessoas tinham entre 1 e 7 anos de idade; dezoito entre 8 e 12 anos; treze entre 13 e 20 anos; dezesseis entre 21 e 30 anos, dezessete entre 31 e 40 anos; doze entre 41 e 50 anos; três entre 51 e 60 anos; e, cinco entre 61 e 70 anos (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1860).

    Em 1863, dos brasileiros livres que viviam na colônia, vinte e nove homens eram brancos, quarenta e cinco eram pardos e oito eram negros. Quanto às mulheres, trinta e duas eram brancas, trinta e seis pardas e quinze negras. Naquele ano havia seis escravos na colônia: dois homens e quatro mulheres. Um escravo e uma escrava tinham mais de 21 anos, os demais eram menores (SANTA CATARINA, 1863: 35).
    No ano seguinte a colônia contava com cento e sessenta e quatro pessoas: oitenta e sete homens e setenta e sete mulheres. Eram livres cento e cinqüenta e oito pessoas, seis eram escravos. Dentre os livres, trinta e dois homens e vinte e nove mulheres eram brancos; eram pardos quarenta e um homens e trinta e oito mulheres; e, negros, doze homens e seis mulheres. Do total de livres, havia vinte e cinco casais e três viúvas, os demais (cento e cinco pessoas) eram solteiros (SANTA CATARINA, 1865: 29). Havia, em outubro de 1864, vinte e três soldados e sete adidos da Companhia de Inválidos (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1864a).

    Em 1865 viviam na colônia vinte e quatro soldados e sete adidos da Companhia de Inválidos (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1865). Dois anos depois, conforme o mapa do pessoal da colônia militar (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1867), viviam lá vinte e dois soldados e quatro adidos da Companhia de Inválidos. Entretanto, nos últimos anos da década de 1870, a colônia contava com apenas nove soldados (COLÔNIA MILITAR DE SANTA THEREZA, 1878), ou pouco mais.

    Nem tudo eram rosas na nascente colônia. As dificuldades para enviar para cá os soldados de 1ª classe, como determinava o regulamento, trouxe algumas incomodações:

    Em 1855 foram retirados da colônia quatorze soldados com quatorze pessoas da família, por terem completa negação à lavoura e despenderem em puro ócio os dias que eram dedicados aos trabalhos em seus sítios (SANTA CATARINA, 1856: 11).

    Alguns desertaram e se uniram aos Bugres, azedando a relação entre os colonos e os índios… Mas isto é outra história que será contada em outra ocasião.

     

  • O SOLDADINHO: Um Santo Desconhecido?

    Placa Comemorativa no túmulo do Soldadinho
    Placa Comemorativa no túmulo do Soldadinho

    Pouco se sabe sobre o Soldado que está sepultado na comunidade que hoje se chama Soldadinho. Na placa sobre o túmulo está escrito:

    Soldadinho
    Soldadinho, sua história começa depois que foi criada a primeira colônia militar de Santa Catarina, uma das primeiras do Brasil
    Naquela época foi aberta a estrada para fazer comercialização de uma região para a outra, que era na vila de Lages à Santa Tereza.
    Em 1859 passavam por aqui, uma tropa de soldados que voltava da vila de Lages, com os produtos da comercialização.
    Naquela época, o frio era tanto que ninguém aguentava, e naquele momento um dos soldados sentiu-se cansado, parou, sentou no chão e acendeu uma fogueira para se aquecer. Como o frio era muito, apagou o fogo o soldado morreu de frio. Minutos passaram e outros soldados sentiram sua falta e voltaram para ver o que tinha acontecido. Quando chegaram encontraram o soldado morto… E o enterraram aqui e desde então este lugar é conhecido como: 
    Soldadinho…

    Esta placa fornece algumas informações básicas verídicas segundo a tradição oral e outras inverídicas do ponto de vista histórico e lógico. Mas foi importante a sua colocação pois faltam informações que nos possam dar a verdadeira história do Soldadinho e por quê ele é considerado Santo.

    Vamos aos fatos:
    A picada aberta de Lages a Desterro possibilitou um grande progresso na região. O movimento constante de tropeiros e militares, subindo e descendo a serra obrigou o Império a constituir uma Colônia Militar onde hoje é Catuíra, para dar apoio e segurança aos que iam e vinham.
    Como uma colônia Militar, Santa Thereza abrigava tropas que se deslocavam também de uma a outra região. O Duque de Caxias encaminhou para a colônia aqueles soldados da Guerra do Paraguai que haviam recebido baixa. As mulheres que os acompanhavam receberam autorização para se fixarem em Santa Thereza recebendo inclusive ajuda financeira para a viagem por ordem de Caxias.

    Soldado da Infantaria Brasileira de Linha de Frente do século XIX desenho pelo desenhista e correspondente de guerra Melton Prior (1845-1910). Colorido digitalmente por Mauro Demarchi
    Ilustração do equipamento de campo da Infantaria Brasileira de Linha de Frente do século XIX reproduzida a 7 de outubro de 1893 no jornal inglês The Illustrated London News, página 444, em artigo sobre a Revolta da Armada (1893-1864) sucedida nos então “Estados Unidos do Brazil”. A figura apresenta à direita um soldado em formação munido de seu rifle com baioneta; à esquerda e de cima para baixo, um quepe, um soldado a utilizá-lo e um capacete de cortiça no estilo “casque colonial” do Segundo Império Francês. A ilustração foi executada em 1891 pelo desenhista e correspondente de guerra Melton Prior (1845-1910).

    Segundo a tradição oral transmitida na “Alfredo Wagner em Revista – Jubileu de Prata 1961/1986” organizada e elaborada pelo Dr. Thiago de Souza em 1986, soldados derrotados na Revolução Federalista (que separou Santa Catarina do restante do Brasil por um curto período) fugiram da cidade de Desterro para o interior, muitos buscando a Serra em direção a Lages. “Depois de vários dias de marcha já não suportavam seu próprio peso, a marcha era lenta, quando vinham pela altura do hoje local chamado Demoras, já com a tarde caindo, um deles, mais velho, mancando por causa de um pé machucado, com fome e frio foi ficando para trás. No início seus companheiros nem notaram sua ausência. Mais a frente encontraram uma porteira, era sinal de que estavam perto de alguma casa, andaram mais um pouco encontrando a residência do Sr. Nicolau Kalbusch que os recebeu dando-lhes alimentação e abrigo. Nesse meio tempo deram pela falta do companheiro, dois deles, talvez mais íntimos resolveram ir procura-lo, arrumaram tochas de taquaras e com o dono da casa foram a procura do amigo, foi em vão, a noite era muito escura e fria. Infelizmente tinham que abandoná-lo.
    “Na manhã seguinte, já refeitos e bem alimentados saíram novamente a procura do colega, não levaram muito tempo encontraram-no morto, congelado, encostado a uma árvore. (…) Seus companheiros o enterraram ali mesmo, colocaram em sua sepultura uma tosca cruz de madeira para marcar o local e foram embora, nada mais podiam fazer.”
    A tropa, segundo este relato, seguia em direção a Colônia Militar Santa Thereza, porém o mau tempo os obrigou a parar na fazenda do Sr. Nikolaus Kalbusch.

    Túmulo do Soldadinho visto da Estrada Geral
    Túmulo do Soldadinho visto da Estrada Geral

    A cruz de madeira serviu de sinal para indicar onde havia sido enterrado o soldadinho, como ficou conhecido. Orações e promessas já ocorriam por quem passava pelo local. Um dia, o proprietário resolveu derrubar a mata no entorno e por fogo para preparar o campo para plantio. Tudo queimou… menos a Cruz indicativa do local onde o Soldadinho fora sepultado. O fato aumentou a devoção já existente. Pela década de 1960 foi reformado o túmulo e construída a cerca em volta. Nada consta que tenha sido feito alguma exumação.
    Segundo romeiros que frequentavam constantemente a localidade para rezar e pedir graças, um padre disse que não precisavam mais ir lá pois o corpo do soldadinho fora levado por seus familiares. As romarias diminuíram após a intervenção do sacerdote, mas as pessoas continuaram a visitar o local, orando e pedindo graças.
    Um apicultor, de religião luterana, me contou que fez um trato com o Soldadinho: para cada colmeia que ele pegasse, o apicultor acenderia uma vela junto ao tumulo do Soldado. Em um ano, seu apiário que tinha apenas uma dezena de colmeias, passou a ter centenas.
    Outra senhora me contou recentemente, ela apesar de católica é casada com luterano e pouco frequenta a igreja, mas sempre que pode vai ao Soldadinho rezar, tendo inclusive pedido pela saúde de pessoa amiga acometida por câncer e em situação delicada.
    Os casos de graças alcançadas aumentam a proporção que conversamos com as pessoas.
    Mas o que diz a Igreja Católica sobre isso? Um dos párocos da cidade há alguns anos, tentou dissuadir os fiéis desta devoção. O pároco atual, Pe. Augustinho Kunen, não incentiva, mas disse em conversa com este jornalista: “Nós rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos. Mas para alguém ser declarado santo pela Igreja é preciso conhecer sua vida e realizar um grande e demorado processo”.

    Chegará o Soldadinho a ser declarado Santo? O processo é muito demorado e difícil e no caso pessoal dele, mais ainda. Nada se sabe de sua vida. Portanto, relatos, escritos, nada nos aponta para uma vida de prática das virtudes heroicas mas como explicar as graças e milagres recebidos por tanta gente?
    A devoção ao Soldadinho continua. Isso demonstra que lá está enterrado alguém que na sua humildade e mesmo desconhecido, é amado por Deus que atende a quem a Ele recorre através do Soldadinho.
    Através deste artigo, simples, como foi a vida deste homem, prestamos uma homenagem e invocamos a Graça de Deus a todos que o lerem. Que o Soldadinho, se for vontade divina, ilumine os caminhos das pesquisas que iniciamos, para chegarmos ao conhecimento completo de sua vida e do exemplo que nos dá!