Autor: mauro

  • Não jogue fora suas memórias e recordações

    Não jogue fora suas memórias e recordações

    NÃO JOGUE FORA SUAS FITAS DE VIDEOCASSETE!
    Elas podem ser limpas e as imagens gravadas podem ser recuperadas e digitalizadas em DVD ou em Pendrive. Não jogue fora suas lembranças de aniversários, batizados, casamentos, festas, etc. Recupere suas fitas de videocassete. Sigilo e Competência!

    Abaixo um exemplo de vhs digitalizada com cenas do Baile de Debutantes de 1986.

    Preencha o formulário e envie. Entraremos em contato!

    Tipo de Fita/Serviço

     

     

  • A volta ao mundo de lambreta

    José Ferreira da Silva - O Aventureiro
    José Ferreira da Silva O Aventureiro

     

    O livro de José Ferreira da Silva “O Aventureiro, A volta ao mundo de Lambreta” é cativante. Recomendo a leitura. No momento em que parei para redigir esta nota, o autor estava saindo de Nova Delhi querendo chegar na fronteira com a China para visitar as famosas muralhas.
    Livro escrito em pequenos capítulos com descrição de suas grandes aventuras. O drama humano perpassa cada página desta obra. Vale a pena ler. O autor, José Ferreira da Silva é membro da ALE Associação Lageana de Escritores e doou seu livro para a Associação Academia de Letras do Brasil/SC – municipal Alfredo Wagner.
    O “Aventureiro” parte de Porto Alegre e vai em direção ao Uruguai, de lá entra na Argentina, sobe a cordilheira dos Andes, entra no Chile e assim percorre as Américas, Europa, parte da África e da Ásia.
    Enfrenta o frio congelante e o calor escaldante. Dorme ao relento, enfrenta animais peçonhentos e a indiferença humana.
    Uma aventura de tirar o fôlego de quem lê.
    Quando José Ferreira da Silva entrou no Chile, atravessando os Andes, foi obrigado a dormir lá encima pois anoiteceu e não haveria tempo de chegar na próxima cidade. Sem alojamento naquele local, passou a noite ao pé de um Cruzeiro. Algumas vezes ele foi acordado por tremores que perpassava seu corpo. Temendo que havia chegado seu momento, redigiu uma carta a seus familiares, informando seus últimos desejos. O autor acabou pegando no sono e quando acordou no dia seguinte ficou surpreso por não ter morrido. Comentou com um guarda que apareceu e ficou sabendo que eram os tremores da montanha. Imperceptíveis estes tremores só são sentidos quando a pessoa está deitada.
    Na Índia, certa noite, tendo a noite o encontrado na estrada, foi obrigado a buscar um abrigo para dormir. Encontrou uma gruta na qual se escondeu. No dia seguinte, ao retirar a lambreta da entrada, colocada para proteger e não permitir que algum animal o surpreendesse, uma Naja saltou da lona… Bem, a história continua, mas é melhor ser lida neste delicioso livro.

  • Meu Pai, Alcindo Demarchi

    Meu Pai, Alcindo Demarchi

    Alcindo Demarchi era natural de Pedreiras, São Paulo, filho de Francisco Demarchi e Elisa Masson, Era neto de Giacomo Giovani De Marchi, italiano que veio com a. imigração de 1887. Casou-se com Lahir Catarina Vano. Teve quatro filhos: Francisco António Demarchi, Fani Aparecida Demarchi, eu, e Marcos Tadeu Demarchi.
    A última vez que o ví, foi em agosto de 1964. Eu tinha 7 anos e ainda era pequeno e não alcançava o caixão que estava sobre uma mesa na sala da nossa casa no Jardim Paulista em São José dos Campos.

    Ainda me lembro da sensação profunda de perda, e, o que mais me preocupava, de um futuro incerto.

    Quantas vezes senti a falta dele, mesmo fingindo que eu era grande o bastante para me cuidar sozinho.

    Eu era pequeno. mas sabia o quanto significava ser filho de Alcindo Demarchi. Ele era muito católico, querido por todos, honesto nos negócios e muito trabalhador. O Jornal da Diocese de Taubaté, O Lábaro, (na época S. José dos Campos ainda não era diocese). publicou uma biografia e a prefeitura colocou o nome dele numa rua num dos acessos ao bairro onde morávamos. Era um dos líderes da comunidade católica local participando
    ativamente da Conferência Vicentina, da Congregação Mariana.

    Morreu vítima de uni acidente de trabalho, rodeado de amigos e segurando as mãos de minha mãe recomendando muito a educação dos filhos

    Minha mãe cumpriu a risca esta recomendação nos dando uma educação rígida, mas facilitando o acesso ao estudo e a cultura. Ela assumiu o papel do pai que perdemos.

    Quando chega o dia dos pais eu não penso tanto na perda pois o que para mim parecia um futuro incerto, foi na realidade um passado cheio de realizações.

    Penso no exemplo dele e na recompensa que certamente recebeu por ter sido bom e justo durante a vida,

    Que do Céu onde ele está, junto de Deus, ajude a todos os filhos que perderam seus pais e sentem a falta que eles fazem. Ajude a mim também que tanto sinto a falta dele.

  • Os Decretos na história da Capital das Nascentes

    A vida dos povos costuma se desenvolver em dois aspectos: o público (político) e o privado. Não é diferente com nosso município.

    A vida particular das pessoas (envolvendo também a vida das comunidades) segue num misto de trabalho, sonhos e planejamentos. O que marca a vida de pessoas e comunidades são nascimentos, mortes, casamentos, festas, o plantio e a colheita, etc.

    Já a vida política está fixada na manutenção da ordem e desenvolvimento social e econômico e suas ações são expressas através de decretos. Decretos que podem ser a nível nacional, estadual ou municipal.

    Três decretos marcam a história de Alfredo Wagner, a Capital Catarinense das Nascentes e que, provavelmente, você desconhece.  Um decreto Imperial e dois Estaduais figuram na história política do município e devem ser anotados e suas datas guardadas.

    O primeiro dos decretos foi redigido por ordem do Imperador Dom Pedro II. Assim relata o Presidente da Província de Santa Catarina, João José Coutinho, em sua Fala à Assembléia Legislativa, transcrito no jornal O Conservador de 12 de maio de 1854:

     

    S. M o Imperador sempre solicito pelo bem estar de todos os seus subditos. Houve por bem crear por Decreto nº 1266 de 8 de Novembro do anno proximo findo uma Colonia Militar na estrada de Lages, com o duplo fim de proteger os moradores da mesma estrada, e as pessoas que por ella transitao contra as excursões dos Índios selvagens e de servir de centro, e nucleo de população.

    Os primeiros soldados colonos que d´aqui partirão em numero de 19 chegarao ao trombudo, lugar escolhido para assento da Colonia, no dia 11 de janeiro último; outros tem seguido por vezes, e devem lá existirem 41 individuos entre soldados, e suas familias, acha-se tambem n´ella d´esde 8 de Fevereiro proximo findo um facultativo, e os medicamentos precisos para o tratamento dos que adoecerem.

    Alem da Colonia central composta de 41 praças de pret, foi autorizado a colocar em outros pontos da mesma estrada, dois destacamentos filiaes a Colonia, composta cada um de 11 praças.

    Como he do meu dever, não pouparei esforços para que essa colonia progrida, e em breve principie a prestar a Provincia os beneficios que d´ella com razão se espera.

     

     

    Eis o decreto de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II criando a Colônia Militar Santa Thereza:

    O decreto imperial é mais conhecido, visto ser o primeiro documento oficial a respeito da nossa terra. Mas além desse existem outros.

    O segundo documento que resgato dos porões da história para a publicidade é a primeira menção a “Catuíra” nome que substituiu o de Colonia Militar e de Santa Thereza.

    Uma nota, sugestiva, publicado pelo jornal A Notícia de Joinville, de 4 de Janeiro de 1944, alertava aos catarinenses:

    VAE MANDAR A SUA CORRESPONDENCIA

    Verifique primeiro a troca de nomes das cidades vilas e lugarejos

    No quadro anexos do decreto-lei que fixa a divisão administrativa do Estado, publicados na edição de 21 de dezembro  do Diario Oficial, encontramos as novas denominações que couberam a vários municípios, cidades, vilas e localidades catarinenses.

    São elas as seguintes: (…) Catuira (ex-Santa Tereza) no Município de Bom Retiro; (…)

     

    Por fim, lembremos da Lei nº 806 de 21 de dezembro de 1961 criando o município de Alfredo Wagner:

     

     

    O Deputado João Estilavet Pires Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina de conformidade com o disposto no ….. da Constituição do Estado, faz saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu promulgo a seguinte lei: 

    Art. 1 º – Fica, de conformidade com a Resolução nº 5/61, de 20 de dezembro de 1961, da Câmara Municipal de Bom Retiro, criado o Município de “Alfredo Wagner”.

    Art. 2º – O Município de Alfredo Wagner será composto dos territórios dos distritos de Barracão e Catuíra (…)

    Art. 3º – Ficará o Município de Alfredo Wagner pertencendo a Comarca de Bom Retiro. fixando-se a sua sede no atual distrito de Barracão que passa a denominar-se Alfredo Wagner.

     

    De decreto em decreto e de lei em lei vai crescendo a antiga Colônia Militar Santa Thereza, atual Alfredo Wagner, a Capital Catarinense das Nascentes.

  • E agora Brasil?

    Leio, as vezes, algumas opiniões favoráveis a volta dos militares. Vamos analisar com frieza a proposta. Os militares foram bons administradores, é verdade; desceram o sarrafo no cangote de alguns terroristas… também é verdade; construíram estradas de rodagem, pontes, etc o que também é verdade! Tudo isso é verdade, mas esqueceram algo muito importante: a religião, a imprensa e as universidades! Deixaram a “intelectualidade” de esquerda formar seus filhos e netos; deixaram que a esquerda proliferasse nos meios de comunicação (manipulando a informação) e não souberam e nem quiseram reverter a esquerdização dos meios católicos.
    Temos que pensar diferente! Clamar por um governo militar só agravará a situação pois eles não são capazes de lidar com a guerra psicológica em que a Esquerda é hábil.
    No meu ponto de vista pessoal a solução para o Brasil deve ter algumas fazes:
    a) fechamento imediato do congresso e dos partidos político e confisco dos bens enquanto houver o julgamento.
    b) Monarquia Já! Restauração do Império do Brasil como Poder Moderador;
    c) convocação de novas eleições, excluindo todos os eleitos a qualquer cargo (incluindo presidente de sindicato, de associação, etc) num prazo de 30 anos.
    d) desmoralização, através da mídia de todos aqueles que levaram o Brasil a este fundo do poço, seja político, religioso ou militar!
    Reestruturação do ensino universitário, fechamento de sindicatos e de seminários de esquerda, seriam etapas a cumprir ao longo do tempo.
    Por ser uma questão de segurança nacional, o Tráfico de drogas, deveria ser controlado pelo Exército Nacional, impondo, inclusive a lei marcial se necessário.
    Você que teve a paciência de ler até aqui, obrigado pela sua atenção.
    Que Nossa Senhora Aparecida salve o Brasil!

  • A vida das abelhas – Capitulo III

    A vida das abelhas – Capitulo III

    Capitulo III do meu livro
    Capitulo III do meu livro “Aprendendo com as abelhas”

    1. Vai, ó sociólogo, ter com as abelhas…

    De fato, leitor, reina ordem impressionante numa colmeia. Aliás, genericamente, em todo o reino animal. Por isso, um sociólogo que após observar os homens, seus diversos modos de encarar a vida, a política e a organização social, procurasse deitar sua atenção sobre os animais, não perderia seu tempo, mas descobriria muitas analogias e poderia até dar um desenvolvimento maior a seus estudos. Porventura, não diz o Espírito Santo no livro dos Provérbios, “Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, e considera o seu proceder, e aprende dela a sabedoria” (Prov. VI, 6)? Com quanta propriedade poderíamos também dizer: vai, ó sociólogo, ter com as abelhas e lá aprenderás que o homem pode viver feliz no convívio com seus semelhantes. Evidentemente, não poderíamos aplicar ao homem, ponto por ponto, o estilo de vida das abelhas. Para começar, numa colmeia todos os elementos são do sexo feminino, e em certas épocas os zangões são simplesmente eliminados… Outros pontos poderiam ser ressaltados que não vêm ao caso no momento.

    No que, então, o estudo da vida das abelhas pode servir como admirável fonte de inspiração para o relacionamento humano? A vida de família, a dedicação de cada membro dessa família, o esforço generoso e atento no cumprir cada qual sua obrigação, a solidariedade e a ajuda mútua dos membros dessa família, a vigilância e o ataque intrépido em defesa da colmeia etc. A maravilhosa organização da vida da colmeia é apenas um símbolo, caro leitor, daquilo que poderia ser o relacionamento social dos homens operosos, desprovidos de inveja e dispostos a cooperar, cada qual segundo suas aptidões, para o bem estar geral.

    2. Como funciona o reino maravilhoso das abelhas

    Isto dito, voltemos à vida da colmeia.

    • Onde tudo começa…

    Tudo começa com um pequeno ovo depositado numa célula especial, chamada realeira. A rainha, já velha e pressentindo seu fim, ou observando que o espaço onde mora o enxame tornou-se exíguo, ali botou um ovo com vistas ao nascimento de uma nova princesa. Suas súditas armazenam, na principesca celazinha, a geleia real que irá alimentar a futura rainha, enquanto passar sucessivamente pelas fases de larva, pupa e, por fim, de ninfa, quando, roendo o seu casulo, sairá à luz do dia. Normalmente, há mais de uma realeira, e a princesa ao nascer terá que disputar a realeza com outras. Vencerá a mais apta, mantendo assim as melhores características genéticas do enxame. Ao nascer, sua corte já está formada e procurará defendê-la das outras princesas. Caso o enxame seja muito grande, poderá haver divisão, partindo as várias princesas para direções opostas, ficando apenas uma na colmeia.

    Acompanhemos um enxame já estabelecido, cuja rainha velha morreu poucos instantes antes de nascer a princesa. Um enxame, sim, porém não um desses de laboratório, ou supercontrolados. O enxame de abelhas que vamos acompanhar está na natureza, será mais adiante capturado por você, leitor, e por mim, mas por enquanto ele habita um cupinzeiro abandonado pelos seus primitivos moradores.

    • Morre a rainha, centro da vida do enxame

    A rainha acaba de morrer. Durante cinco anos, aproximadamente, ela foi a mãe, a coordenadora e o centro de todo o enxame. Sua alimentação foi sempre especial, só geleia real, o que lhe possibilitou viver todo esse tempo, quando as abelhas comuns, chamadas operárias, vivem 48 dias em média. Sua fecundidade, que em certas ocasiões chegou a 2 mil ovos por dia, também depende desse alimento(ver nota 1). Mas agora ela morreu. A corte, que a seguia por toda parte, procura reanimá-la. Em vão. Daí a consternação geral da colmeia. A rainha já não passa para as outras abelhas o seu odor característico, e estas, notando sua falta, choram. Não com lágrimas, por certo. Mas com um zumbido tão triste que, quem o ouviu algum dia, fica impressionado. A rainha está morta. Se não houvesse uma realeira e não estivesse para nascer uma nova princesa, o que aconteceria? Em primeiro lugar, haveria agitação inusitada e agressividade anormal. O passante, animal ou pessoa, tomado como responsável pela morte da rainha, seria incontinenti atacado. Em seguida, à agitação sucederia angústia desconcertada. Uma ou outra operária, contrariando a regra, ingeriria geleia real e daria início à postura de ovos. o que acalmaria momentaneamente o enxame. Mas, sendo ela virgem e não fecundada, seus filhos seriam apenas zangões. E, por essa forma, o enxame estaria condenado a desaparecer, pois zangões não são capazes de cumprir as funções próprias das operárias.

    • A princesa, suas rivais e seus príncipes

    Mas não é esse o caso de nossa colmeia. Uns dias mais, e do mencionado ovinho nascerá uma princesa. Se ela for a primeira, com seu ferrão cortará as outras realeiras, matando as rivais. Senão, terá que defrontar-se com elas, fazendo valer sua astúcia, força e valentia. Já prevendo a necessidade de um príncipe para sua princesa, as abelhas, mais especificamente as que ficam de guarda à entrada da colmeia, permitem o acesso de diversos zangões. E numa bela manhã, finalmente, a jovem princesa sai para seu primeiro voo nupcial, acompanhada de sua corte e inúmeras abelhas da colmeia. Os zangões também levantam voo, mas vencerá o que for mais ágil e veloz. A princesa, agora rainha, poderá acasalar-se outras vezes. Mas por ora, ela e sua corte retornam à colmeia. Os zangões, porém, são barrados à entrada do cupinzeiro, onde o enxame está alojado. Se forem atrevidos, serão expulsos ou terão as asas cortadas.

    • O reino tem inimigos!

    A vida retorna ao ritmo normal… Mas não demora muito, um rato do campo, para fugir de uma coruja, penetra no cupim. Seu mau cheiro incomoda a sentinela, que soa o alarme. Então, um exército de guardiãs, em plena carga de cavalaria, descarrega sua cólera contra o invasor. O poeta Virgílio, já citado, assim cantava essa estratégia: ”Sente-se logo ali na alvorotada turba – ser bélico furor que a agita, inflama e turba. – Um como de clarins intrépido rebate – daqui, dali, concita as frouxas ao combate. – Prestes se apinha o bando, e se resolve e freme: – um relâmpago de ouro em suas asas treme; – com as bocas os ferrões aguçam diligentes; – exercitam os pés; fiéis e inteligentes – condensando-se em torno à chefe e à régia tenda – chamam com grã clamor as outras à contenda “. E, mais adiante, ele acrescenta que as”… hostes abaladas mostram ânimo grande em pequenino peito; – inflama-as o valor, enraiva-as o despeito” (Ver nota 2). De todos os lados surgem elas, atraídas pelo característico cheiro que a sentinela exala ao conclamar as companheiras para o ataque. O rato do campo, que se refugiara no cupim, parte em disparada, acossado por algumas das ferozes guardiãs.

    De sorte que, se não for muito rápido na corrida, cara lhe resultará sua intrusão.

    • A iracunda irara e outros mais

    Todavia, o enxame conta com outros inimigos. E se hoje foi um rato, noutra ocasião será uma irara. E as sentinelas percebem, pelo seu odor acre, que nessa noite a irara resolveu variar o cardápio. O leitor me permite um parêntese? Já conhece a irara? Ainda não? Então passo a apresentá-la. Nossos índios a chamam ira-nara. Ira, em tupi, quer dizer mel e a repetição do rá significa mel, mel, ou seja, muito mel (ver nota 3). É um animal que pode chegar a 110 cm de comprimento, que gosta muito de mel, e cujo habitat abrange o Brasil inteiro e chega até o México. Jean George acrescenta, em Animais de “A” a “Z” (ver nota 4), que “além de mel, come pássaros e seus ovos. Quando, porém, nada disso encontra, e a fome aperta, não recua ante atacar animais de regular tamanho. Mata muitas vezes só para chupar o sangue e pode fazer verdadeiras devastações nos galinheiros”. É, portanto, um bichinho valente. Um desses, exatamente, resolveu comer o mel de nossa colmeia. Pouco importa às guardiãs a valentia da fera. Elas, sempre vigilantes, ouvindo algo que começa a raspar a entrada do cupim, e, depois, sentindo o odor da irara, batem as asas recomendando às companheiras a prontidão para o ataque. E ataque a bicho grande. Com efeito, mal as batedoras saíram para reconhecer a “visita”, voltam e tocam o alarme, um exército sai do cupinzeiro e ataca o animal por todos os lados onde pode. Se cochilou e as picadas foram demasiadas, era uma vez uma linda irara, de negra e luzidia pele… Porém, não são apenas o rato e a irara os inimigos do enxame. Entre outros mais, destacam-se os sapos, as formigas, especialmente as doceiras, ou as aves como o bem-te-vi do “seu” Jan etc etc.

    Dá a impressão, pela descrição acima — diria talvez o meu paciente leitor —, que o rato, a irara etc., não têm condições de vitória e sempre se saem mal. É certo isso? O certo é que se os predadores acima citados resolverem atacar um enxame forte, correrão sério risco de vida. Um enxame com 60 mil ou 80 mil abelhas, considerado um enxame normal, tem cerca de 10% de guardiãs dispostas a tudo sacrificar em defesa da colmeia. Páreo difícil para um animal pequeno. Mas um enxame fraco com menos de 10 mil abelhas, não contará com defensoras suficientes, no caso do ataque de algum predador, pois, se o ataque ocorrer durante o dia, a maioria das abelhas estará fora coletando pólen, néctar ou própolis. Se ocorrer à noite, apesar de ser maior o número de defensoras, ainda poderá não ser suficiente contra um animal do porte da irara ou do tatu.

    Não se deve pensar que num ataque — sempre em legítima defesa — o enxame fica sem mortos do lado das abelhas. Não. Cada abelha que pica o inimigo deixa na pele do mesmo o ferrão com parte de seu corpo, e morre em decorrência disso. Pois o ferrão, que tem a forma de um arpão, quando entra numa superfície elástica, não sai. Por isso, o ataque só é efetuado quando a abelha estima, acertadamente ou não, que o inimigo está pondo em jogo a sua vida ou a vida do enxame. E que, portanto, para salvação própria ou do todo, não há por que recuar diante da morte. Belo símbolo de dedicação, não acha, leitor? Certo dia, uma abelha dessa colmeia cuja vida estamos acompanhando, estava coletando néctar no alto de um eucalipto, quando sentiu a árvore abalar e logo em seguida cair. Acompanhava toda esta operação um ruído nunca ouvido por ela. A colmeia encontrava-se instalada num cupinzeiro existente no meio de um eucaliptal que, afinal, seria cortado. Os lenhadores, desconhecendo a existência de um enxame nas proximidades, cortavam as árvores com motosserras, inquietando o enxame. Quando um deles passou em frente do cupinzeiro para calcular o ângulo do corte de uma árvore, foi recepcionado por uma abelha que o atacou diretamente no rosto; logo em seguida outras o perseguiram e ele desatou a correr, alertando seus amigos que também debandaram. A ocorrência não altera o ritmo de vida normal do enxame.

    • Prepare-se, leitor, pois vamos capturar esse enxame

    Entretanto, no dia seguinte, uma movimentação inusitada, desconhecida, põe o enxame em alvoroço.

    Fumaça! Será incêndio?!

    O alarme corre célere.

    Onde há fumaça, há fogo; logo, se há fogo, ou o enxame se apressa em mudar, ou ele morre. Não há tempo a perder. A grande maioria das operárias corre direto aos favos de mel e néctar, e tomam quanto podem. A razão é simples: sendo o mel a matéria necessária para a confecção dos favos, sentindo a fumaça, a primeira providência a tomar é sorver todo o mel possível para ter com que reconstruir a colmeia em outro lugar.

    • A legítima defesa

    Não se deve pensar que num ataque — sempre em legítima defesa — o enxame fica sem mortos do lado das abelhas. Não. Cada abelha que pica o inimigo deixa na pele do mesmo o ferrão com parte de seu corpo, e morre em decorrência disso. Pois o ferrão, que tem a forma de um arpão, quando entra numa superfície elástica, não sai. Por isso, o ataque só é efetuado quando a abelha estima, acertadamente ou não, que o inimigo está pondo em jogo a sua vida ou a vida do enxame. E que, portanto, para salvação própria ou do todo, não há por que recuar diante da morte. Belo símbolo de dedicação, não acha, leitor? Certo dia, uma abelha dessa colmeia cuja vida estamos acompanhando, estava coletando néctar no alto de um eucalipto, quando sentiu a árvore abalar e logo em seguida cair. Acompanhava toda esta operação um ruído nunca ouvido por ela. A colmeia encontrava-se instalada num cupinzeiro existente no meio de um eucaliptal que, afinal, seria cortado. Os lenhadores, desconhecendo a existência de um enxame nas proximidades, cortavam as árvores com motosserras, inquietando o enxame. Quando um deles passou em frente do cupinzeiro para calcular o ângulo do corte de uma árvore, foi recepcionado por uma abelha que o atacou diretamente no rosto; logo em seguida outras o perseguiram e ele desatou a correr, alertando seus amigos que também debandaram. A ocorrência não altera o ritmo de vida normal do enxame.

    Outra providência tomada, imediatamente após o sinal de fumaça, é a expulsão da mesma, mediante corrente de ar formada com o bater das asas. Essa corrente de ar é tão forte que, além de expulsar a fumaça que já entrou, impede a entrada de nova onda.

    Mas hoje as precauções serão vãs. As guardiãs, pesadonas devido a tanto mel ingerido, ficam impossibilitadas de utilizar o ferrão e nos permitem capturar o enxame. É um golpe. Mais outro. Eis que a picareta rompe o cupinzeiro e deixa à mostra grandes favos cobertos de abelhas, repletos de crias, pólen e mel. As poucas abelhas que não ingerem mel, mas mantêm-se vigilantes, continuando agressivas, incomodarão ainda um pouco, contudo não conseguirão impedir nosso trabalho.

    • Destruído o cupim, separamos os favos com mel dos favos com cria

    Sua primeira providência, leitor — sim, sua, pois você me ajudará a capturar esse enxame —, será separar o mel e depositá-lo num balde à parte, cobrindo-o com um pano úmido. Isso evitará que as abelhas, atraídas pelo cheiro do mel, nele se afoguem. Enquanto isso, vou, com muito cuidado, cortar os favos de cria e prendê-los nos quadros.  Alguns apicultores utilizam elástico, outros barbante, outros ainda pregam pequenas ripas nas transversais do quadro.

    Nós simplesmente os prenderemos entre os arames do quadro. Completada a capacidade da colmeia Standard que trouxemos para alojar as abelhas, vamos guardar o restante dos favos com cria para fortalecer algum enxame de nosso apiário, ou os destruiremos para não atrair formigas.

    Certamente o leitor observou que as abelhas, até há pouco agressivas, perderam o ímpeto e já não se ocupam de nós.

    – Sim, mas qual a razão?

    A razão é que, tendo sido destruída a propriedade que lhes pertencia e, portanto, nada mais restando, não há por que brigar por ela. O importante agora é aglutinar-se em torno da rainha e segui-la.

    – Onde estará ela?

    Observe que todas as abelhas se encaminham para a ponta do cupim. Elas foram informadas de que a rainha lá está e para lá se dirigem.

    • Seguir a rainha, agora, é o que importa

    Ao tentarmos pegar a rainha, ela levanta voo, logo seguida por todas as suas súditas, e o enxame pendura-se num galho. Destruído o cupinzeiro, colocamos a caixa sobre o local, cortamos o galho, e damos uma boa chacoalhada, até que todo o enxame caia dentro da caixa. Tampamos. E no alvado (a “portaria” da colmeia) colocamos uma gradezinha para impedir que a rainha saia e abandone o local. As abelhas, por serem menores, entram e saem facilmente, mas a rainha por ter o abdómen muito grande, não o consegue. Não saindo a rainha, o enxame permanece.

    Note o leitor as abelhas que estavam fora. Elas penetram na caixa sem necessidade de serem empurradas: a rainha lá está. O enxame aí ficará até que o levemos para nosso apiário. Mas quer o deixemos, quer o levemos, a colmeia começará uma série de reformas internas: colagem dos favos nos quadros, vedação das frestas da caixa, confecção de novos favos para os quadros vazios, limpeza da caixa que inevitavelmente ficou com um pouco de terra e folhas secas etc. A destruição, no entanto, foi para melhor. Algumas abelhas, tendo feito uma verificação do aspecto exterior da nova moradia, trouxeram a tranquilizadora informação de que ela está sobre um suporte suficientemente alto para que o malcheiroso tatu não possa meter o focinho dentro; nem a iracunda irara poderá subir e rasgar os favos; e muito menos a terrível e temível formiga doceira poderá atravessar a proteção do suporte para levar embora mel e crias novas.

    • “Fazer cera” dá trabalho…

    Refazer os favos… tarefa que exige paciência e muito mel. Para cada quilo de cera, as abelhas gastam de 6 a 8 quilos de mel, segundo Wolfgang Bucherl, do Instituto Butantã (ver nota 6), opinião, aliás, corrente entre os apicultores. Nossa colmeia tem necessidade de completar os favos que ficaram presos nos quadros de madeira e de fazer novos nos quadros vazios. As abelhas que ingeriram o mel durante a destruição do cupinzeiro formam, a partir do alto do quadro, uma cortina, agarradas umas nas outras pelas patas, e nessa posição ficam durante 24 horas, tempo suficiente para que a cera seja processada nas glândulas cericígenas. A temperatura interna, sobretudo onde estão as fazedoras de cera, se eleva a 55 graus. Quando oito plaquinhas começam a sair do abdómen da abelha, esta as recolhe, amassa-as com as mandíbulas, e, dirigindo-se para o alto do quadro, afasta as abelhas que lá estão, e na trave de madeira gruda sua porção de cera. É seguida, logo após, por outras que sucessivamente vão depositando sua contribuição. Nesse momento, entram em ação as abelhas-arquitetas, encarregadas de conduzir a construção dos favos. Examinam a cera, apalpam-na e dão início à construção do alvéolo hexagonal. Cada decímetro quadrado conterá, segundo Bucherl (Ver nota 7), 850 alvéolos para operárias, e 530 se forem alvéolos para zangões.

    • A mudança

    Certo dia, ao cair da tarde, novo alarme percorre a colmeia: fumaça! Nova correria para os favos de mel, novo esforço para expulsar a fumaça. Só que desta vez não haverá destruição. A fumaça apenas desvia a atenção do enxame enquanto tapamos a abertura do alvado para podermos transportar a colmeia com segurança até nosso apiário. Ao parar definitivamente o sacolejar, as abelhas sentem uma lufada de ar fresco penetrar a colmeia pelo alvado recém-aberto. As guardiãs saem para verificar o que acontecera, mas em torno é só escuridão. No dia seguinte, nova surpresa: o local já não é mais o interior de um eucaliptal, mas um apiário bem montado, com dezenas de outras caixas semelhantes, de onde entram e saem a todo instante milhares de outras abelhas. O leitor que desejar poderá obter maiores informações sobre a captura, transporte e instalação de enxames no Apêndice, Roteiro para principiantes…

    • Notas

    Nota 1: A rainha pode fecundar ou não cada ovo, ao colocá-lo no alvéolo. De um ovo fecundado nascerá uma operária e de um não fecundado nascerá um zangão.

    Nota 2: Op. cit.,pp. 213-214.

    Nota 3: Cfr. Prof. Silveira Bueno, Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa, Ed. Saraiva, São Paulo, 1985, vol. 4, p. 1986, verbete “Irara”.

    Nota 4: Cfr. Maravilhas e Mistérios do Mundo Animal, Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, 1966, p. 303.

    Nota 5. Quadros – palavra usada no vocabulário apícola para designar a moldura de madeira onde as abelhas fazem os favos. Esse quadro permite que cada favo possa ser retirado e reposto na colmeia, independentemente.

    Nota 6. Wolfgang Bucherl, Acúleos que Matam, Livraria Kosmos Editora, São Paulo, 1980, p. 79.

    Nota 7. Op. cit., p. 98.

    Capitulo III do meu livro Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade, editado pela Artpress Editora, São Paulo, 1995.

  • Jornalista

    Como toda criança tive projetos do que seria quando eu crescesse: bombeiro, padre, escritor, jornalista, engenheiro, etc. Ao longo da vida, vários destes projetos (como ocorre com todo ser vivente) foram abandonados ou desenvolvidos.

    Quando criança cheguei a desenvolver um projeto de jornal para concorrer com o Jornal Vale Paraibano… hoje, um dos maiores do Vale do Paraíba. Sonhos a parte e em busca de uma definição para a minha vida profissional, fiz um curso de Desenhista Técnico de Arquitetura, tendo trabalhado em alguns escritorios de Engenharia em minha adolescência.

    Essa não seria, entretanto, a profissão definitiva. Quando me mudei para os Estados Unidos, em 1979, tive os primeiros contatos com a redação de uma Revista: Cruzade For a Christian Civilization. Foi ali comecei a trabalhar com a imprensa e gostar da atividade. Comecei com a diagramação das páginas. Naquela época, ainda não havia as facilidades da tecnologia e a diagramação era na base do recorte dos parágrafos e a colagem nas páginas quadriculadas. Gostava muito daquilo tudo.

    De volta dos Estados Unidos, só fui me dedicar a escrita de artigos para jornais a partir de 1990, quando estava preparando o lançamento do meu livro “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade”. Nessa época eu era apicultor e admirador dos trabalhos das abelhas, resolvi contar como era a vida destes laboriosos insetos.

    Artigos meus foram publicados na imprensa do interior e da capital do Estado onde eu morava na época: São Paulo. Inclusive alguns artigos foram publicados no Brasil Post jornal alemão publicado no país.

    Em 2000 me mudei definitivamente para Santa Catarina. Admirador da Capital Catarinense das Nascentes, a bela Alfredo Wagner, passei a divulgar o município em jornais da região com artigos que escrevia periodicamente. A imprensa regional era muito seletiva. Cidades que não pagavam patrocínios (seja o comércio ou órgãos públicos) dificilmente tinham matéria publicada.

    Parti, então, para o desafio de publicar o jornal da cidade, procurando furar o bloqueio da Mídia regional. Busquei diversas parcerias até que finalmente, em 2010, como Assessor de Imprensa da Prefeitura Municipal, lançamos o Jornal Alfredo Wagner, cuja coleção poderá ser lida no link: Hemeroteca Digital Catarinense.

    Em 2011, ano do cinquentenário do município, organizamos a publicação de uma revista comemorativa: “Alfredo Wagner em Revista – 1961/2011).

    A experiência adquirida neste tempo me levou a requerer junto ao Ministério do Trabalho e Emprego o registro de Jornalista. Reuni a documentação requerida e entrei com o processo que foi deferido com o registo 5225/SC em 15 de maio de 2014,

    O trabalho com o primeiro jornal alfredense, me levou a lançar outro independente, cuja publicação tem sido periódica: Jornal Capital das Nascentes.

    O Jornal Capital das Nascentes está passando por uma fase de reestruturação que o transformará num jornal regional possibilitando um alcance maior. Nosso foco nesta publicação é a história, a boa informação, a veracidade dos fatos. Dificilmente publicaremos notícias relativas a assaltos, mortes, desastres, a não ser que tenham um retorno positivo para o leitor.

  • História: dinossauros, índios e imigrantes

    Quando os continentes ainda eram unidos e a natureza inóspita e primitiva, nossa região foi percorrida por bandos de mesosaurus, um tipo de réptil que apareceu no período carbonífero e sobreviveu até o período triássico, ou seja, há 200 milhões de anos.
    Um fóssil do mesosaurus brasiliensis foi encontrado no município de Alfredo Wagner em 1990 por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina.
    Os mesosaurus, quando adultos, alcançavam um metro de comprimento, tinham patas com membranas interligadas e longa calda. Cataclismos naturais ocorridos no fim do período triássico fizeram com que espécies desaparecessem, soterrados em lama e lava vulcânica.
    Naquela época havia apenas um continente chamado Pangeia.
    Separados os continentes por novos e contínuos cataclismos, outras espécies foram surgindo e o ser humano por aqui começou a circular, seguindo os animais que fugiam de suas caçadas.
    Peças de artefatos descobertas em sítios arqueológicos em Alfredo Wagner são indícios de que em épocas distintas várias nações indígenas ocuparam estas terras.
    Altair Wagner no livro “Alfredo Wagner: Terra, Água e Índios” relata que por aqui passaram indígenas das tradições Taquara, Umbu, Guarani, Xokleng, Kaigang (parentes dos Xokleng, mas seus ferrenhos inimigos). Também por aqui passaram índios da tradição Humaitá, cuja característica é a produção de artefatos em forma de bumerangue e da tradição Alto-paranaense com características semelhantes a tradição Humaitá na fabricação de peças de pedra.Falemos dos Xoklengs, últimos conquistadores e senhores absolutos destas terras antes da chegada dos imigrantes.
    Pesquisas arqueológicas mostram que Xoklengs foi uma das últimas grandes nações da primitiva América.
    Acostumados a vencer e expulsar seus inimigos, não contavam com a persistência e as armas dos imigrantes.
    Os índios Xoklengs viviam em pequenos grupos ao longo dos campos da serra, vales litorâneos e bordas do planalto sul do Brasil.
    Estes grupos tinham grande mobilidade, indo e vindo pelas matas e perais.
    Os diversos grupos se reuniam apenas uma vez por ano para uma grande cerimônia.
    Os Xoklengs não cultivavam a terra. Viviam da caça e da exploração de frutos dos lugares por onde passavam. Não possuíam sistema de escrita e como outras tribos suas tradições eram transmitidas oralmente.
    Sua arte se resumia a poucos sinais e trançados em esteiras e poucos adereços.
    Segundo pesquisas recentes descobriu-se que os índios Xoklengs dominaram esta região por mais de 3 mil anos.
    “Dominaram” não é eufemismo… esta etnia soube manter-se contra invasores, sem utilizar-se da guerra, mas de uma arte de guerrilha que confundia e assustava aos invasores.
    Muito inteligentes, os Xoklengs utilizavam-se de técnicas de combate específicas para aterrorizar e espantar as tribos nativas ou invasoras.
    Era a mulher, entre os Xoklengs, quem decidia onde parar e quanto tempo ficar numa certa região. Por isso, os índios procuravam aterrorizar principalmente as mulheres de outras tribos, evitando o combate frente a frente com os homens.
    Esta técnica surtiu efeito com todas as tribos indígenas, onde a mulher é quem decidia, mas não com a mulher do imigrante branco.
    As mulheres que chegaram com suas famílias para colonizar estas terras, eram tão guerreiras quanto seus maridos, pais e irmãos, sabendo manejar as armas do mesmo modo que sabiam usar machados e enxadas ou a linha e agulha.
    Quando os índios Xoklengs perceberam que a guerrilha usada para espantar as mulheres não surtiu efeito, mas provocou uma reação de defesa, passando a ser de perseguição e guerra, procuraram fazer as pazes com os imigrantes e a partir de 1910 as relações começaram a melhorar entre índios e brancos. A partir daí, começaram as miscigenações entre as etnias.
    Um exemplo deste bom relacionamento entre índios e colonizadores pode ser visto em Bom Retiro, município ao qual Alfredo Wagner pertencia até a sua emancipação. O governo destinou nos anos 30 do século passado uma grande área para ocupação dos Xoklengs.
    Quando os índios terminaram a derrubada da mata e a venda da madeira, foi destinada duas outras áreas que também, em poucos anos, foram desmatadas. Não restando mais nenhum dos antigos Xoklengs naquelas terras, apenas seus descendentes, foi destinado a cada uma das famílias remanescentes, uma casa no centro de Bom Retiro com o respectivo terreno. Ainda hoje vivem algumas destas famílias.
    Um fato muito curioso e que merece registro: um carpinteiro alemão foi contratado para ensinar aos índios a construção de casas de madeira e ajudá-los naquela tarefa. O carpinteiro havia recém enviuvado ficando com filhos pequenos, ele se encantou por uma índia Xokleng que lhe correspondeu e ambos passaram a viver juntos. O filho deste carpinteiro contou que era costume na época (para proteger os índios) fazer um contrato de união por um ano. Findo o prazo os dois formalizavam o casamento. E foi o que aconteceu.se casaram. Os filhos primeiros de ambos se davam muito bem, o mesmo se dando com os filhos que o casal teve depois.
    Atualmente a pesquisa sobre as diversas etnias que se fixaram ou apenas passaram por Santa Catarina está muito desenvolvida e a bibliografia é abundante, razão pela qual neste texto deixamos de citar as referências que sustentam nossas afirmações.
    Em próxima edição faremos um resgate de fatos contados por antigos alfredenses e recortes de revistas e jornais da época. Até lá!
  • O PRÍNCIPE DO BRASIL E O REI DO POP

    O PRÍNCIPE DO BRASIL E O REI DO POP

    A simplicidade do sepultamento do jovem Príncipe Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança contrastou com o show midiático do funeral de Michael Jackson.

    Duas mortes, dois funerais, duas lições. Oxalá o Brasil compreenda seu significado.

    Dois acontecimentos chamaram a atenção do mundo no mês passado. O primeiro teve grande repercussão no Brasil. O segundo abalou o mundo artístico mundial. Duas mortes, dois funerais, duas lições.

    Quando o voo 447 da Air France partiu do Rio de Janeiro levando representantes da elite intelectual, científica, artística e social em direção à França, mal sabiam – a tripulação e os passageiros – que jamais chegariam ao destino. Um acidente fez despencar a aeronave tornando impossível qualquer esperança de sobreviventes. Entre os passageiros estava um jovem Príncipe brasileiro, Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança, representante da mais alta nobreza europeia, que carregava em seu sangue a história milenar de sua família. Nele estavam concentradas as esperanças de seu tio, Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial, e de toda Família Imperial Brasileira. Voltava ele de férias para o trabalho num Banco em Luxemburgo.

    Seu corpo vagou no Oceano aguardando o momento do resgate. A família, enlutada, se refugiou na oração e no próprio coração de Deus buscando forças para aceitar os misteriosos desígnios divinos, à espera do momento triste, mas necessário, do recebimento dos despojos para o sepultamento. No silêncio, na tranquilidade, na paz interior, aguardavam e se preparavam.

    Funeral do Príncipe Dom Pedro Luiz sem publicidade
    Funeral do Príncipe Dom Pedro Luiz sem publicidade

    Provavelmente nem um último olhar de sua mãe em seu semblante foi possível, em vista do estado em que se encontrava no momento que foi entregue à família após ser resgatado do mar e identificado.

    À celebração da Missa de Réquiem seguiu-se o sepultamento em Vassouras, resguardado o caráter familiar desses atos, conforme expressa vontade de seu pai, o Príncipe D. Antônio, que não quis dar publicidade aos eventos. Simplicidade, humildade, religiosidade, amor, esperança. Esta é a primeira lição.

    Lição que nós monarquistas devemos aprofundar ainda mais e tornar público os valores desta família que recebeu o Dom de Deus de representar a esperança em meio a tanto caos, de ser a chama que brilha nas trevas da corrupção e ignomínia.

    Quando uma gota de óleo cai numa folha de papel ela vai penetrando sutil e imperceptivelmente. Quando se nota, ela tomou uma grande área do papel.

    A gota de óleo sagrado – pois a instituição monárquica em algo transcende o temporal e toca no sagrado – que caiu sobre o papel amarrotado desta pobre nação foi o sacrifício do Jovem Príncipe. Ela vai penetrar os corações, de modo suave e sutil, levando à restauração dos valores morais que são o fundamento da vida nacional.

    A segunda lição veio do hemisfério norte. Com certeza não resultou de um bom exemplo. No primeiro caso havia comprovada nobreza de sangue e de postura. Neste segundo, ela não era real.

    Mitificação póstuma

    Mitificação póstuma
    Mitificação póstuma

    O Rei do Pop caminhava pelos corredores de sua mansão solitária. Buscava novos remédios para conter o seu desespero. Ao se olhar no espelho não encontrava mais a fisionomia do negro talentoso, mas um ser artificial fruto da vaidade e do egoísmo. Ainda cantava, é verdade e tinha uma multidão de fãs. Mas se tornara o zumbi de seu último e mórbido filme. Não, não aguentava mais. Se quisesse dormir teria que tomar doses maiores de sedativos. E assim o fez. Acostumou-se a fazer tudo o que queria e mais uma vez o fez sem medir as consequências de seus atos para a vida real.

    A mídia ao divulgar sua morte esqueceu todos os seus defeitos, todas as suas vaidades, todos os seus vícios. Suas músicas, seus clips, seus vídeos foram retransmitidos, e seu funeral recebeu destaque especial nas televisões e sites de notícias em todo o mundo.

    Acabara de morrer e já começava uma briga por sua fortuna… Dúvidas, desconfianças, interrogatórios. Seu corpo seria enterrado, mas seu cérebro não, pois exames precisariam ser feitos. Um show foi organizado, caixão recoberto de ouro, cantores, mídia, sorteio de ingressos para o sepultamento. Um sepultamento cujo cadáver não estaria presente, mas foi sepultado, antes, ou depois, ninguém sabe ao certo.

    Qual a lição? Mentira, vaidade, dissimulação, falsidade, foi o que se viu, tanto na vida do cantor quanto no show dos funerais. Espero sinceramente que no último instante Michel Jackson tenha se arrependido. Entretanto, onde a árvore cai, ali fica. Nem o ídolo do Pop consegue fugir à regra: “talis vita, finis ita”. Assim como viveu, morreu. É a realidade. Pobre Estados Unidos da América! Péssimo exemplo para o mundo!

    Há fraudes destrutivas e esperanças edificantes. Oxalá o Brasil compreenda o alto significado que estas duas lições nos dão. Feliz desta nação que abriga em seu seio a Família Imperial, exemplo edificante mesmo na desventura.

    Em meio ao caos, é preciso esperar por dias melhores com a certeza de que virão. O modelo republicano está envelhecido, desgastado, exaurido. Utopias fracassadas e malsãs não constroem nem representam a esperança de um Brasil melhor.

    _________

    * Mauro Demarchi é líder monarquista em Santa Catarina, escritor e editor do blog Monarquia em Ação.

  • Biografia

    Biografia

    Monarquista, Escritor, Empresário, Produtor Cultural e editor do Jornal Capital das Nascentes.
    Sou autor do livro “Aprendendo com as Abelhas a viver em Sociedade”, publicado pela Artpress, São Paulo, em 1995.
    Nasci em 1957, em São José dos Campos, onde fiz os estudos primários e secundários, e, por fim, diplomei-me como Desenhista Técnico de Arquitetura. Após um ano de estágio nos Estados Unidos, retornei ao Brasil, e desde 1987 residindo numa fazenda, no município paulista de Amparo, tornei-me apicultor. Comecei, então, a criar abelhas sem finalidades comerciais, como simples hobby, por amor à atividade. Fiz, mesmo, questão de nunca comercializar a produção de mel de minhas colméias, mas distribuí-la a amigos e pessoas carentes. Ao criar abelhas, não me limitei à uma rotina sem iniciativa. Pelo contrário, fui muito além. Levado pela curiosidade e pelo espírito metódico e engenhoso, penetrei em profundidade no Reino Maravilhoso das Abelhas. Observei, pesquisei, descobri técnicas novas. Inventor de um sistema de extração de apitoxina (veneno de abelhas). Descobri uma fórmula para purificação e armazenação da apitoxina sem necessidade de refrigeração. Estudei e desenvolvi uma colmeia de madeira especial para abelhas jataí (brasileiras nativas, sem ferrão), e fiz experiências inéditas sobre os efeitos tranquilizantes do canto gregoriano em enxames de abelhas africanas irritadas e agressivas. Consegui, em 1990, com uma de minhas colmeias, bater um record de produção, o qual chamou a atenção de especialistas e foi objeto de publicações na grande imprensa. Apaixonado pela apicultura. passei a trabalhar na divulgação dessa matéria, publicando artigos em jornais, fazendo exposições e palestras informais, especialmente para jovens. Da experiência nessas palestras nasceram vários trabalhos. Um deles é “Aprendendo com as abelhas a viver em sociedade”, editado pela Editora Artpress de S. Paulo. Neste livro, apresento um dos mais doces produtos das abelhas: a lição de vida. Dedicação, amor à hierarquia, união da família, etc são valores esquecidos atualmente, mas que procuro relembrar, exemplificando com a vida das abelhas. Morando atualmente em Santa Catarina, desenvolvi vários projetos culturais, entre eles o Encontro Catarinense de Escritores de Alfredo Wagner e Região, realizado em 2006, 2010, 2011 e 2012 cuja história está relatada no site Jornal Alfredo Wagner Online
    Sou um dos fundadores da Academia de Letras do Brasil/SC municipal Alfredo Wagner, do Jornal Alfredo Wagner e do Jornal Capital das Nascentes.
    Recebi alguns títulos que muito me honram: Em 2012: Cavaleiro Comendador na Soberana Ordem da Águia Dourada de Kastoria, Cavaleiro Comendador de Justiça na Soberana Ordem Equestre Príncipe da Paz, Doutor Honoris Causa em História pelo Centro de Estudos Históricos de Kastória. Em 2011: Doutor em Filosofia Univérsica, Ph.I. Filósofo Imortal Honoris Causa pela Academia de Letras do Brasil.